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100 juízes vivem sob ameaça do crime organizado no Brasil

STF reforça preocupação com a segurança de magistrados e ataques digitais.

Cem magistrados brasileiros que atuam em processos ligados ao crime organizado estão sob ameaça de represálias em razão de suas funções. A informação foi divulgada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que revelou que 79 desses juízes já contam com medidas especiais de proteção.

A declaração foi feita durante a cerimônia de instalação de novas varas especializadas no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), voltadas ao combate às organizações criminosas e à lavagem de dinheiro. No evento, Fachin ressaltou a necessidade de fortalecer a segurança do Judiciário e ampliar mecanismos para enfrentar a atuação das facções.

Segundo o ministro, os magistrados mais expostos são aqueles responsáveis por decisões que afetam diretamente as estruturas financeiras das organizações criminosas, como bloqueio de bens, apreensão de patrimônio, autorização de investigações e deliberações envolvendo lideranças presas. Essas medidas, conforme explicou, tornam os juízes alvos frequentes de intimidações.

Além das ameaças físicas, Fachin alertou para o avanço de práticas como ataques cibernéticos, divulgação indevida de informações pessoais e campanhas de perseguição nas redes digitais. Para ele, esse tipo de pressão representa um risco à independência do Poder Judiciário e exige atenção constante das instituições.

Durante o evento, o Tribunal de Justiça de São Paulo também apresentou a nova estrutura de varas especializadas para concentrar processos relacionados ao crime organizado, lavagem de dinheiro, crimes tributários, econômicos e irregularidades em licitações. A iniciativa busca dar maior agilidade às investigações e reunir casos em unidades com atuação específica na área.

Atualmente, milhares de processos ligados a organizações criminosas e lavagem de bens tramitam apenas na capital paulista. Com a reorganização, a expectativa é aumentar a eficiência das apurações e reduzir a fragmentação das ações judiciais.

Embora magistrados contem com mecanismos institucionais de proteção, o cenário também evidencia os riscos enfrentados por outras pessoas que atuam contra organizações criminosas, como defensores de direitos humanos, lideranças comunitárias e trabalhadores em áreas de conflito, que muitas vezes não dispõem do mesmo nível de segurança.

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