Medicamento passa a ser indicado em fase inicial para reduzir risco de recaída.
Anvisa amplia uso de terapia contra câncer de mama HER2-positivo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova indicação para o medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), ampliando as opções de tratamento para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial.
Com a decisão, o medicamento poderá ser utilizado de forma mais precoce em adultos que, mesmo após receberem quimioterapia, terapia-alvo e passarem por cirurgia, ainda apresentem sinais da doença. A nova indicação contempla pacientes com doença invasiva residual, condição caracterizada pela permanência de células tumorais identificadas no tecido retirado durante o procedimento cirúrgico.
Esse grupo de pacientes é considerado de maior risco para o retorno do câncer. Dados apresentados pela Anvisa apontam que até um quarto das pessoas com doença residual pode enfrentar a recidiva da enfermidade ao longo dos dez anos seguintes ao tratamento inicial.
Segundo especialistas, a principal novidade é que o medicamento, anteriormente destinado principalmente a casos mais avançados da doença, agora poderá ser empregado em uma etapa anterior do tratamento. A estratégia busca aumentar as chances de cura ao eliminar possíveis células cancerígenas remanescentes após a cirurgia.
De acordo com o oncologista Stephen Stefani, do Grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, o novo protocolo representa um reforço terapêutico para pacientes que não obtiveram resposta completa ao tratamento realizado antes da cirurgia.
A aprovação da Anvisa foi fundamentada em resultados de um estudo clínico que apontou redução de 53% no risco de recorrência invasiva da doença ou de morte entre os pacientes tratados com o medicamento. A pesquisa também demonstrou melhora na sobrevida livre de doença, indicador que mede o tempo em que o paciente permanece sem apresentar sinais de retorno do câncer.
Embora existam discussões sobre alguns aspectos metodológicos do estudo, especialistas destacam que as evidências apontam benefícios relevantes para o uso da terapia nesse novo cenário clínico, oferecendo uma alternativa importante para pacientes com maior risco de recaída.
G1


