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Unifal-MG diz ter respondido a denúncias de servidor que relata assédio moral.

outubro 29, 2026Polícia

Funcionário está afastado após diagnóstico de burnout e afirma ter enfrentado problemas no ambiente de trabalho desde 2025. Ministério Público do Trabalho apura o caso.

A Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) informou que deu encaminhamento às manifestações apresentadas por um servidor que relata ter sido vítima de assédio moral no ambiente profissional. O caso veio a público após uma reportagem exibida pela EPTV na quarta-feira, 28 de outubro, e está sob investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

O funcionário, Germano Lopes, atua como analista de tecnologia da informação e trabalha na universidade há 17 anos. Segundo seu relato, os episódios que considera abusivos tiveram início em 2025 e se estenderam ao longo de 2026.

Em posicionamento oficial, a instituição declarou que as manifestações relacionadas ao servidor foram analisadas e respondidas, com os encaminhamentos definidos de acordo com cada demanda e as normas internas. A universidade também ressaltou que mantém políticas e iniciativas voltadas à prevenção de situações de assédio e discriminação.

Servidor relata isolamento e problemas de saúde

Germano afirma que tentou buscar ajuda junto à direção da universidade, à reitoria e aos canais administrativos disponíveis. No entanto, segundo ele, as providências adotadas não corresponderam às suas expectativas.

Entre as situações relatadas estão a falta de respostas a mensagens profissionais, dificuldades no andamento de processos e o que descreve como isolamento no ambiente de trabalho.

O servidor afirma que as circunstâncias tiveram consequências para sua saúde mental. Ele recebeu diagnóstico de síndrome de burnout, confirmado por avaliação pericial, e atualmente está afastado das atividades profissionais.

Além de buscar os setores internos da instituição, Germano informou ter recorrido a órgãos externos e à Justiça Federal para tratar do caso.

Ele também relatou ter ouvido de outros colegas experiências que, em sua avaliação, apresentam semelhanças com as situações que diz ter vivenciado. Por isso, defende mudanças nos procedimentos de acolhimento e apuração de denúncias, além de maior atenção à saúde mental dos trabalhadores.

Ministério Público do Trabalho acompanha a denúncia

O Ministério Público do Trabalho confirmou que investiga as alegações relacionadas à Unifal-MG. Como o procedimento ainda está em andamento, o órgão não divulgou informações adicionais sobre as apurações.

Até o momento, as alegações relatadas pelo servidor são objeto de investigação, e não há, no material apresentado, informação sobre uma conclusão oficial do procedimento.

Universidade destaca medidas de prevenção

Ao se manifestar sobre o caso, a Unifal-MG destacou que possui uma política institucional destinada à prevenção e ao enfrentamento do assédio e da discriminação. A iniciativa foi aprovada pelo Conselho Universitário em 2024.

A universidade também informou que a participação de servidores em capacitações sobre esses temas é exigida para a progressão ou promoção na carreira. Conforme a instituição, a medida foi apontada pelo Ministério Público Federal como uma prática que pode ser adotada por outras universidades.

Outra iniciativa mencionada é o Grupo de Enfrentamento e Mobilização contra o Assédio (Gema), que reúne integrantes da comunidade acadêmica e atua na orientação, no acolhimento e na prevenção de possíveis situações de assédio.

Para formalizar denúncias, a instituição orienta que estudantes, servidores e demais cidadãos utilizem a Ouvidoria da universidade, por meio da plataforma Fala.BR, vinculada à Controladoria-Geral da União.

Segundo a Unifal-MG, as manifestações são avaliadas conforme suas características e os procedimentos aplicáveis, podendo dar origem à apuração de responsabilidades quando houver fundamento para isso.

Sobre a situação de Germano Lopes, a universidade reiterou que analisou e respondeu às manifestações recebidas e que adotou os encaminhamentos considerados pertinentes.

Sindicato relata crescimento de queixas

O sindicato que representa os docentes da Unifal-MG também se pronunciou sobre o cenário. De acordo com a entidade, denúncias de assédio já eram recebidas anteriormente, mas os relatos teriam aumentado nos últimos três anos.

Entre os problemas apontados pelo sindicato estão condutas consideradas excessivas por parte de ocupantes de cargos de chefia e questionamentos sobre o direito de defesa em procedimentos administrativos.

A entidade mencionou ainda irregularidades processuais que teriam sido apontadas pela Controladoria-Geral da União e reclamações relacionadas ao atendimento das necessidades de saúde dos trabalhadores.

O departamento jurídico do sindicato analisa as denúncias recebidas para verificar quais medidas legais podem ser adotadas, inclusive em situações distintas da relatada pelo servidor.

Unifal reafirma compromisso com ambiente seguro

Ao final da nota oficial, a universidade afirmou que pretende manter as ações de prevenção, os canais de denúncia e os procedimentos de análise das manifestações, respeitando a legislação, a confidencialidade necessária e os direitos das pessoas envolvidas.

A investigação conduzida pelo Ministério Público do Trabalho permanece em andamento.


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