Brasileira de Pouso Alegre presa na Tailândia trabalhou para comprar itens básicos na prisão.

outubro 19, 2026Polícia

Mary Hellen passou quatro anos e meio detida após ser flagrada com 9 kg de cocaína. Durante o período, aprendeu idiomas, trabalhou dentro da unidade prisional e ajudou brasileiras e brasileiros recém-chegados.

A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de Pouso Alegre (MG), enfrentou dificuldades para se manter durante os quatro anos e meio em que esteve presa na Tailândia. Sem a presença da família no país asiático, ela procurou formas de conseguir dinheiro para comprar produtos essenciais, como itens de higiene pessoal e alimentos que se adaptassem melhor à sua alimentação.

Durante o período de detenção, Mary Hellen aprendeu inglês e tailandês, trabalhou em uma padaria dentro do sistema prisional e realizou massagens remuneradas. Além de buscar recursos para as próprias necessidades, ela passou a auxiliar outros brasileiros que chegavam à prisão sem conhecer o idioma local.

As informações foram compartilhadas com o g1 pela advogada Kaelly Cavoli Moreira, responsável por acompanhar o caso desde 2022, quando Mary Hellen foi detida no aeroporto de Bangkok com 9 kg de cocaína.

Trabalho ajudava a garantir produtos essenciais

Segundo a advogada, o dinheiro recebido pelos serviços realizados na prisão era utilizado para comprar itens que não eram disponibilizados pela unidade, incluindo escova e pasta de dente, chinelos e alimentos.

A alimentação também representava um desafio, já que os pratos servidos no presídio frequentemente continham pimenta e eram diferentes dos hábitos alimentares que a brasileira tinha no Brasil.

Ao longo da detenção, Mary Hellen também orientava outros brasileiros sobre o funcionamento da unidade prisional e as oportunidades de trabalho disponíveis. Conforme o relato da advogada, ela chegou a compartilhar uma cela com aproximadamente 150 mulheres, em uma unidade que recebia pessoas de diferentes nacionalidades.

Condenação teve reduções após perdões reais

Mary Hellen foi condenada inicialmente a nove anos e seis meses de prisão. Posteriormente, a pena foi reduzida pela metade após uma confissão em audiência. Novas reduções ocorreram por meio de perdões reais concedidos pelas autoridades tailandesas.

De acordo com Kaelly, a brasileira manteve comportamento considerado excelente durante o período em que esteve presa. Essa avaliação contribuiu para que ela fosse contemplada em diferentes rodadas de perdão real.

A advogada explicou que o benefício depende de critérios estabelecidos pelas autoridades da Tailândia e não é concedido automaticamente a todos os detentos.

Ainda segundo a defesa, Mary Hellen chegou a solicitar ajuda para ser transferida para uma unidade prisional maior, onde pudesse ter mais oportunidades de exercer atividades remuneradas.

Retorno ao Brasil contou com ajuda da família

Após ser beneficiada pelo perdão real coletivo, Mary Hellen deixou a prisão e passou por um centro de detenção de imigração antes de retornar ao Brasil.

Para custear a passagem aérea, familiares organizaram uma arrecadação. Conforme a advogada, o bilhete custou aproximadamente R$ 6 mil, e a compra exigiu atenção a condições específicas da companhia aérea e à data da viagem.

Atualmente, Mary Hellen está no Brasil e trabalhando, segundo Kaelly. Procurada pelo g1 para comentar a experiência, ela preferiu não conceder entrevista neste momento.

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