
Operação Cavalo de Troia investiga suspeita de corrupção em contrato de R$ 5,2 bilhões em Bauru Investigação do Ministério Público apura possível manipulação de licitação para serviços de resíduos sólidos e aponta o envolvimento de agentes públicos e empresários.
Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apura possíveis irregularidades em uma licitação para a gestão de resíduos sólidos em Bauru, no interior paulista. O contrato, com previsão de duração de 30 anos, é estimado em R$ 5,2 bilhões.
Batizada de Operação Cavalo de Troia, a apuração busca esclarecer suspeitas de que servidores públicos e representantes do setor privado teriam participado de um esquema para favorecer determinados interesses no processo de concessão dos serviços.
A investigação ganhou novos desdobramentos em outubro de 2026, quando o então secretário municipal de Governo, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso durante uma nova fase da operação. A primeira etapa havia sido realizada em setembro do mesmo ano.
Suspeitas surgiram durante outra investigação
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, as apurações começaram a partir de denúncias e suspeitas envolvendo ameaças a catadores de materiais recicláveis no município.
Na ocasião, os investigadores analisavam possíveis irregularidades relacionadas à Associação dos Catadores de Reciclagem de Bauru (Ascam), que possuía contratos com a prefeitura ligados à coleta seletiva.
Durante o trabalho investigativo, o Ministério Público passou a examinar conversas telefônicas e mensagens que teriam indicado possíveis irregularidades além das inicialmente apuradas.
Investigação aponta possíveis pagamentos ilícitos
A análise do material recolhido levou os investigadores a apurar suspeitas de pedidos de propina e de interferência no processo de concessão dos serviços de limpeza e gerenciamento de resíduos urbanos.
Entre os nomes citados está o empresário Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido de Gisele Moretti, que presidia a associação investigada. Segundo a apuração, ele teria exercido influência sobre trabalhadores ligados à atividade de reciclagem.
O Ministério Público também apresentou denúncia contra seis investigados na primeira fase da operação. A investigação continuou com a análise dos materiais apreendidos e a busca por possíveis outros envolvidos.
Licitação bilionária está no centro do caso
O principal foco da Operação Cavalo de Troia é esclarecer se houve atuação coordenada para direcionar a contratação dos serviços de gestão de resíduos sólidos em Bauru.
Por envolver um contrato de grande valor e longa duração, o caso levanta questionamentos sobre a condução do processo licitatório e a eventual participação de agentes públicos e empresas privadas em práticas ilegais.
Até o momento, as suspeitas investigadas ainda dependem da apuração e da análise judicial. A existência de denúncias ou prisões não representa, por si só, uma condenação dos envolvidos.
O que ainda precisa ser esclarecido
O Ministério Público busca aprofundar as informações obtidas durante as diligências para identificar a possível extensão do esquema, esclarecer a participação de cada investigado e verificar se houve favorecimento indevido na concessão.
Também permanecem questões sobre os impactos das suspeitas no processo de contratação e sobre a eventual participação de outras pessoas.
O caso segue em investigação, e os desdobramentos deverão esclarecer a responsabilidade individual dos envolvidos e a existência de irregularidades na licitação.


