Oferta e qualidade dos grãos continuam ditando os preços.
O mercado brasileiro de feijão iniciou o mês de julho mantendo o cenário observado ao longo dos últimos meses, com a qualidade dos grãos exercendo forte influência sobre os preços praticados. De acordo com o indicador Cepea/CNA, a disponibilidade limitada de lotes de melhor padrão continua sustentando as cotações, enquanto produtos de qualidade intermediária apresentam maior pressão de oferta.
No segmento do feijão carioca de alta qualidade, especialmente os grãos classificados como peneira 12 ou nota igual ou superior a 9, o mercado permanece aquecido. Mesmo com o avanço da colheita da safra irrigada nas regiões do Cerrado, a oferta segue insuficiente para atender plenamente à demanda da indústria, que continua reforçando seus estoques.
Após registrar uma retração de 9,65% nos preços durante junho em comparação com maio, o produto ainda acumula valorização superior a 62% no ano e permanece significativamente acima dos valores registrados no mesmo período de 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, sem previsão de quedas expressivas enquanto persistir a escassez de grãos de alto padrão.
Já o feijão carioca de qualidade intermediária enfrenta um cenário diferente. O aumento da oferta, especialmente de lotes provenientes do Paraná, onde a produção sofreu impactos das geadas e das chuvas, tem pressionado as cotações. Em junho, os preços recuaram mais de 13% frente ao mês anterior, embora ainda apresentem forte valorização no acumulado do ano.
Nas principais regiões produtoras, como Sul e Sudoeste de Minas Gerais, Leste de Goiás e Curitiba, foram registradas reduções nas cotações devido ao comportamento mais cauteloso dos compradores, que passaram a selecionar com maior rigor os lotes disponíveis. A tendência é que esse segmento continue operando com preços mais acomodados, mantendo diferença significativa em relação ao feijão de melhor qualidade.
O mercado do feijão preto também segue firme. A menor disponibilidade do produto, consequência do encerramento da segunda safra no Paraná e das perdas causadas pelas condições climáticas, tem sustentado os preços. Em junho, as cotações registraram leve alta sobre maio e acumulam valorização expressiva tanto no primeiro semestre quanto na comparação anual.
Levantamentos do setor indicam que apenas uma pequena parcela das lavouras remanescentes no Paraná apresenta boas condições, fator que limita a oferta de grãos de maior qualidade. As negociações permanecem concentradas na reposição dos estoques da indústria e na comercialização realizada pelos produtores.
Para o curto prazo, a perspectiva é de continuidade do mercado firme. Caso a oferta permaneça restrita, especialmente dos grãos de melhor qualidade, novas valorizações pontuais poderão ocorrer nas próximas semanas, mantendo o mercado sustentado.
CNA


