
Azeite produzido no Sul de Minas conquista primeiro lugar em concurso nacional.
Produzido em Maria da Fé, o Mantikir Summit Premium foi destaque na categoria Blend do Prêmio Brasil Artesanal 2026, reforçando a qualidade da produção de azeites na Serra da Mantiqueira.
A produção de azeites em Minas Gerais ganhou mais um motivo para comemorar. Um produto desenvolvido em Maria da Fé, no Sul de Minas, alcançou o primeiro lugar na categoria Blend do Prêmio Brasil Artesanal 2026. O Mantikir Summit Premium recebeu o Selo Ouro em uma competição que contou com 85 amostras de diferentes regiões brasileiras.
O resultado foi divulgado no dia 15 de outubro, em Brasília, durante a premiação promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Além da conquista principal, a marca Mantikir também obteve destaque na categoria Monovarietal, com o azeite Mantikir Coratina, que ficou na quarta posição.
Por trás do reconhecimento está um trabalho que envolve conhecimento técnico, acompanhamento das condições climáticas e atenção a todas as fases de produção, desde o cultivo das oliveiras até o envase.
Condições naturais favorecem o cultivo
Na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé, as oliveiras são cultivadas em terrenos situados entre 1.700 e 1.910 metros de altitude. As características da região, especialmente as baixas temperaturas durante o inverno, contribuem para o desenvolvimento das plantas.
O produtor Herbert Sales acompanha as condições climáticas da propriedade desde 2020, quando começou a registrar as horas de frio acumuladas. A primeira produção de azeite aconteceu em 2023, permitindo avaliar os resultados de diferentes safras e áreas de cultivo.
Além da altitude e da temperatura, fatores como composição do solo, circulação de ar e variedade das oliveiras também interferem na qualidade dos frutos.
Momento da colheita faz diferença
Um dos pontos fundamentais para alcançar o perfil desejado do azeite é identificar o período adequado para retirar as azeitonas das árvores.
O grau de maturação dos frutos influencia diretamente o aroma, o sabor e a concentração de compostos fenólicos. Quando colhidas ainda verdes, as azeitonas geralmente apresentam maior concentração dessas substâncias, relacionadas ao amargor, à picância e à conservação do produto.
No caso do Summit Premium, são utilizadas azeitonas em diferentes estágios de maturação. A combinação permite construir um sabor equilibrado, reunindo características frutadas e intensidades distintas de amargor e picância.
As condições climáticas também podem alterar o planejamento da safra. Em 2026, o volume elevado de chuvas provocou mudanças no amadurecimento dos frutos e prejudicou o rendimento das azeitonas colhidas mais cedo.
Processamento exige rapidez e controle
Depois de retiradas das oliveiras, as azeitonas são encaminhadas ao lagar, local onde acontece a extração do azeite. A agilidade nessa etapa é importante para evitar a deterioração dos frutos e preservar suas propriedades.
A colheita manual é priorizada sempre que possível, reduzindo os danos às azeitonas. O processamento também é realizado preferencialmente no mesmo dia da retirada dos frutos.
Durante a extração, as azeitonas passam por trituração, formando uma pasta que posteriormente é submetida à centrifugação. Nesse processo, o azeite é separado da água e dos resíduos sólidos.
Outro cuidado importante é manter a temperatura controlada. O aquecimento excessivo pode comprometer compostos fenólicos e substâncias responsáveis pelo aroma e pelas características sensoriais.
Após essa fase, o produto passa por procedimentos de decantação e filtragem antes de seguir para o armazenamento.
Armazenamento adequado preserva as características
A qualidade do azeite depende também dos cuidados adotados depois da extração. A exposição à luz, ao calor e ao oxigênio pode acelerar a oxidação e modificar o sabor e o aroma.
Para reduzir esses efeitos, a produção é armazenada em tanques de aço inoxidável, em ambiente com temperatura entre 18°C e 20°C. Também é utilizado gás para diminuir o contato do produto com o oxigênio.
Na etapa de comercialização, o azeite é colocado em garrafas de vidro escuro, com sistemas de vedação reforçados. Esse tipo de embalagem contribui para proteger o conteúdo da luminosidade e conservar suas propriedades por mais tempo.
Blend reúne quatro variedades de azeitonas
O azeite responsável pela conquista nacional é elaborado a partir da combinação de quatro cultivares: Arbequina, Coratina, Grappolo 541 e Koroneiki.
Cada uma apresenta características próprias e contribui de maneira diferente para a composição final. Enquanto a Arbequina costuma proporcionar maior suavidade, a Coratina se destaca pela intensidade. A Koroneiki acrescenta notas frutadas e picantes, enquanto a Grappolo 541 contribui com características vegetais.
A proporção utilizada de cada variedade pode mudar conforme as condições de cada safra. A intenção é encontrar uma combinação harmoniosa, sem que uma característica se destaque excessivamente sobre as outras.
Além do blend premiado, a marca produz o Mantikir Coratina, elaborado exclusivamente com a variedade italiana Coratina. Por apresentar sabor mais intenso, com amargor e picância marcantes, é uma alternativa para consumidores que apreciam azeites de personalidade mais forte.
Atualmente, o Summit Premium é comercializado por R$ 295, em garrafas de 250 ml. Já o Coratina custa R$ 190, também na embalagem de 250 ml.
Reconhecimento fortalece a produção mineira
A premiação contou com avaliações técnicas e participação popular. Durante as degustações, os produtos foram apresentados sem identificação das marcas, permitindo que as características dos azeites fossem analisadas sem influência dos rótulos.
Para Herbert Sales, a conquista representa o resultado de investimentos, pesquisas e dedicação ao desenvolvimento da olivicultura na região.
O desempenho da Mantikir também evidencia o espaço que os azeites brasileiros vêm conquistando no mercado nacional. A Serra da Mantiqueira, especialmente o Sul de Minas, tem se consolidado como uma importante região produtora, reunindo condições naturais favoráveis e produtores interessados em aprimorar técnicas e qualidade.
O primeiro lugar do Summit Premium e a quarta colocação do Coratina reforçam o potencial da produção mineira e colocam Maria da Fé em evidência no cenário nacional dos azeites artesanais.

