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Terremoto de 7,4 deixa rastro de destruição na Colômbia e sobrecarrega hospitais

Número de mortos chega a 162, enquanto mais de 500 pessoas ficaram feridas; Cali e outras cidades adotam medidas de emergência para reforçar os resgates e a segurança

As equipes de emergência da Colômbia seguem, nesta terça-feira (11), mobilizadas nas áreas atingidas pelo forte terremoto que sacudiu o país. O tremor, de magnitude 7,4, provocou destruição em diferentes regiões, deixou pelo menos 162 mortos e mais de 500 feridos. Também há pessoas desaparecidas, segundo os balanços divulgados pelas autoridades.

A situação é especialmente grave em Cali, uma das cidades mais afetadas. Com a rede hospitalar operando no limite, o município adotou medidas emergenciais, incluindo restrições à circulação durante a noite e o reforço da presença das forças de segurança.

O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há poucos dias, decretou estado de emergência em território nacional. O governo anunciou uma operação integrada para atender as vítimas, localizar desaparecidos e recuperar áreas atingidas.

Além dos hospitais, escolas e aeroportos também foram afetados. Pelo menos 18 unidades de saúde e 52 instituições de ensino apresentaram danos estruturais. Seis aeroportos tiveram problemas provocados pelo tremor e precisaram interromper as operações comerciais.

Tremor atingiu o oeste do país

O terremoto ocorreu às 7h34 no horário local, equivalente a 9h34 pelo horário de Brasília. Conforme os serviços geológicos colombiano e norte-americano, o epicentro foi localizado na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a aproximadamente 103 quilômetros de profundidade.

Logo após o abalo, moradores de diversas cidades deixaram suas residências por medo de novos desabamentos. Ruas ficaram lotadas enquanto equipes de emergência eram acionadas para atender prédios danificados e procurar pessoas que poderiam estar presas nos escombros.

Em Cali, considerada a terceira maior cidade colombiana, os trabalhos de resgate se concentraram principalmente em áreas onde houve desabamentos. Equipes especializadas, voluntários e cães farejadores foram mobilizados para tentar localizar sobreviventes.

Até o momento, 26 mortes e 456 feridos foram registrados na cidade. A capacidade de atendimento da rede hospitalar chegou ao limite, situação agravada pelos danos sofridos por quatro grandes unidades médicas.

Um dos casos mais graves ocorreu no Hospital Universitario del Valle Evaristo García, onde parte de uma ala sofreu um colapso. Pacientes e serviços tiveram de ser transferidos para estruturas provisórias montadas em áreas externas do complexo.

Outras unidades, como a Clínica Nuestra Cali, a Clínica Dessa e a Clínica Colombia, também apresentaram problemas estruturais.

Para liberar profissionais, equipamentos e leitos para as vítimas do terremoto, procedimentos considerados não urgentes foram temporariamente suspensos. Cirurgias eletivas, consultas ambulatoriais e outros atendimentos foram interrompidos durante o período mais crítico da emergência.

Equipes trabalham entre os escombros

O trabalho de busca ocorre em condições difíceis. Em alguns pontos, voluntários e socorristas formam grupos para retirar manualmente pedras e outros materiais que bloqueiam o acesso aos locais atingidos.

As equipes utilizam ferramentas como picaretas e outros equipamentos para avançar entre os destroços. Em determinados momentos, os trabalhos são interrompidos para que os profissionais possam procurar possíveis sinais de sobreviventes.

O socorrista Nelson Moreno relatou à AFP que encontrou um cenário de grande confusão ao chegar a uma das áreas atingidas. Segundo ele, veículos circulavam pelas ruas enquanto familiares tentavam localizar parentes.

Moreno também afirmou que os grupos de resgate precisavam de equipamentos básicos, como lanternas e óculos de proteção, para continuar as buscas com maior segurança.

Cali tem toque de recolher

Diante dos riscos relacionados à segurança e da necessidade de manter as vias livres para os veículos de emergência, a prefeitura de Cali estabeleceu toque de recolher durante a noite. A cidade também recebeu reforço militar.

A medida, segundo o prefeito Alejandro Eder, tem como objetivo facilitar o deslocamento das equipes de emergência e evitar episódios de violência e saques em meio ao caos provocado pelo terremoto.

A administração municipal também declarou estado de calamidade pública, permitindo a concentração de recursos e estruturas para atender as regiões mais prejudicadas.

Pereira adotou medida semelhante. O toque de recolher começou às 18h de segunda-feira e permaneceu em vigor até as 5h desta terça. De acordo com o prefeito Mauricio Salazar, a decisão também teve como objetivo preservar a segurança dos estabelecimentos comerciais.

Risaralda concentra maior número de mortes

O departamento de Risaralda registra, até o momento, o maior número de vítimas fatais, com 60 mortes confirmadas. A região também enfrenta dificuldades no atendimento médico devido à quantidade de pessoas encaminhadas aos hospitais.

As autoridades locais informaram ainda que 18 construções desabaram completamente e outras 60 tiveram danos parciais.

Os efeitos do terremoto ultrapassaram as fronteiras colombianas. O tremor foi percebido em áreas de países vizinhos, como Venezuela, Panamá e Equador, incluindo a região de Quito.

Países oferecem ajuda à Colômbia

A dimensão da tragédia mobilizou governos e organismos internacionais. A União Europeia disponibilizou o sistema de monitoramento por satélite Copernicus para auxiliar na identificação das áreas afetadas e no planejamento das operações de emergência.

Os Estados Unidos anunciaram uma ajuda de US$ 15,5 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 79 milhões, destinada ao apoio às ações de resposta ao desastre.

Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também manifestaram disposição para colaborar com a Colômbia.

O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, informou que acompanha a situação e os trabalhos de assistência às vítimas. O órgão afirmou ainda estar preparado para colaborar com as autoridades colombianas diante da dimensão da emergência.

FONTE: G1

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