Governo mobiliza o Exército para conter fluxo vindo do Marrocos enquanto aumenta o número de mortes durante as travessias.
A Espanha enfrenta uma das maiores crises migratórias dos últimos anos após a chegada de aproximadamente 60 mil pessoas à cidade autônoma de Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, em um intervalo de apenas 24 horas. A maioria dos migrantes partiu do Marrocos, utilizando embarcações improvisadas ou realizando a travessia a nado pelo Mar Mediterrâneo.
De acordo com as autoridades espanholas, o intenso fluxo continuou durante a madrugada desta sexta-feira (31), enquanto equipes de segurança registraram novos confrontos com grupos que tentavam entrar no território. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram milhares de pessoas ocupando ruas e áreas públicas da cidade à espera de assistência.
A tragédia humanitária também se agravou. Dados oficiais indicam que ao menos 34 migrantes morreram nos últimos dias durante as tentativas de alcançar Ceuta. Além disso, cerca de 7 mil dos recém-chegados seriam menores de idade, aumentando a pressão sobre os serviços de acolhimento da cidade.
Diante da situação, o governo espanhol determinou o envio de tropas do Exército para reforçar a segurança da fronteira e auxiliar a Guarda Civil no controle da região. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que o país atuará em cooperação com o governo marroquino para administrar a crise e acelerar os procedimentos de retorno daqueles que estiverem em situação migratória irregular.
O chefe do governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, alertou que a estrutura da cidade está próxima do limite e pediu medidas emergenciais ao governo central. Segundo ele, o volume de entradas pode atingir níveis semelhantes aos registrados na crise migratória de 2021, quando milhares de pessoas cruzaram a fronteira em poucos dias.
A recente intensificação das travessias ocorre após uma decisão da Suprema Corte da Espanha estabelecer que migrantes interceptados no mar ao tentarem chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos automaticamente ao Marrocos, exigindo a análise individual de cada caso.
A crise também repercutiu em outros países europeus. Diversos líderes manifestaram preocupação com o aumento da imigração irregular e defenderam o fortalecimento da proteção das fronteiras externas da União Europeia. Na Itália, declarações da primeira-ministra Giorgia Meloni sobre uma possível suspensão de mecanismos relacionados à livre circulação no espaço europeu provocaram reação do governo espanhol, que convocou o embaixador italiano para prestar esclarecimentos diplomáticos.
Enquanto isso, organizações de apoio aos migrantes relatam que centenas de pessoas continuam se concentrando na cidade marroquina de Fnideq, mantendo o temor de que novas ondas de travessias ocorram nos próximos dias.
FONTE: BBC


