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Setor arrozeiro enfrenta dificuldades com cenário internacional e pressão no mercado interno


Empresas acumulam estoques, veem exportações afetadas e enfrentam preços abaixo dos custos de produção enquanto aguardam impactos das tarifas dos EUA.

A indústria brasileira do arroz atravessa um período de incertezas provocado tanto pelo cenário internacional quanto pelas dificuldades do mercado interno. Antes mesmo de sentir os reflexos diretos da nova política tarifária dos Estados Unidos, empresas do setor já convivem com exportações interrompidas, estoques elevados e uma rentabilidade comprometida pelos baixos preços praticados no país.

Representantes da cadeia produtiva afirmam que o ambiente de instabilidade dificulta o planejamento das empresas e amplia os desafios em um momento considerado delicado para a atividade.

Além das dificuldades atuais, o setor teme os impactos da tarifa de 37,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre o arroz beneficiado brasileiro. De acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), a medida pode provocar perdas anuais de aproximadamente US$ 25 milhões. A entidade destaca que o mercado norte-americano responde por parcela significativa das exportações de arroz branco, produto de maior valor agregado, e defende uma solução negociada entre os dois países para reduzir os prejuízos.

Outro problema enfrentado pelas indústrias está relacionado às exportações destinadas a Cuba. A São João Alimentos informou que ficou com cerca de 140 contêineres prontos para embarque após compradores espanhóis cancelarem pedidos em razão das dificuldades financeiras e bancárias enfrentadas pelo país caribenho, agravadas pelas sanções americanas.

Segundo o sócio-diretor da empresa, Adalberto Pegorer, o arroz produzido para atender às exigências daquele mercado não pode ser comercializado diretamente no Brasil. Será necessário abrir as embalagens, reprocessar o produto e adequá-lo aos padrões nacionais, operação que gera custos adicionais e representa perdas financeiras.

A preocupação aumenta com o tempo de armazenamento. Caso permaneça estocado por vários meses, especialmente em períodos de temperaturas elevadas e alta umidade, o arroz pode perder qualidade, ampliando os prejuízos.

Embora as vendas da empresa para os Estados Unidos representem uma pequena parcela da produção, a nova tarifa praticamente inviabiliza novos embarques. A companhia mantém tradicionalmente entre 8% e 12% da produção destinada ao mercado externo justamente para diversificar os destinos, já que fatores como variação cambial, custos de frete e conflitos internacionais tornam o comércio exterior imprevisível.

Na Guacira Alimentos, o cenário também é acompanhado com cautela. O diretor Antônio Pegorer afirma que a incerteza em torno das disputas comerciais internacionais afeta o ambiente de negócios, mesmo para empresas que possuem pouca exposição ao mercado americano.

Descendentes da família Pegorer, tradicional na produção de arroz em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), os empresários destacam que o maior desafio continua sendo a baixa remuneração obtida no mercado interno.

Após alcançar valores próximos de R$ 127 por saca no fim de 2024, o arroz sofreu forte desvalorização, chegando a cerca de R$ 50. Apesar de uma recuperação recente para aproximadamente R$ 70 por saca, o preço ainda está abaixo do necessário para cobrir os custos de produção, segundo representantes do setor.

Com margens reduzidas, algumas empresas têm buscado alternativas para diminuir a dependência do arroz e do feijão. A diversificação do portfólio, com produtos como açúcar, azeite e goiabada, é vista como uma estratégia para ampliar a rentabilidade e reduzir a pressão exercida sobre os alimentos básicos.

Outro ponto de preocupação é o fortalecimento do poder de negociação das grandes redes supermercadistas. Empresários afirmam que a concentração do varejo dificulta reajustes de preços e eleva os custos logísticos, especialmente nas entregas destinadas à Região Metropolitana de São Paulo, onde restrições de circulação tornam as operações mais complexas.

Apesar das dificuldades atuais, o setor acredita que a próxima safra poderá registrar menor volume de produção em razão do aumento dos custos e do crédito mais caro. Caso isso ocorra, a redução da oferta poderá contribuir para uma recuperação dos preços pagos aos produtores, melhorando a sustentabilidade econômica da cadeia produtiva.

FONTE: CNN

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