Pesquisa aponta risco de avanço do desmatamento sem o acordo.
A possível extinção da Moratória da Soja pode provocar um aumento significativo no desmatamento da Amazônia ao longo da próxima década, segundo um estudo publicado na revista científica Science. A pesquisa estima que o fim do acordo poderá resultar na perda adicional de cerca de 1,4 milhão de hectares de floresta, o equivalente a um crescimento de 17% em relação aos índices históricos analisados.
Criada em 2006, a Moratória da Soja reúne empresas, organizações da sociedade civil e o poder público com o objetivo de impedir a comercialização de soja cultivada em áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. O levantamento destaca que, durante quase duas décadas de vigência, a iniciativa contribuiu para reduzir a expansão da agricultura sobre áreas recém-desmatadas, sem comprometer o crescimento da produção agrícola.
Os pesquisadores também calculam que a retirada do acordo poderá elevar as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 745 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), volume comparável às emissões anuais de países de grande porte. Além disso, áreas privadas com potencial agrícola e florestas públicas ainda não destinadas podem se tornar mais vulneráveis à pressão por ocupação e especulação.
Outro ponto destacado pelo estudo é que existe uma ampla quantidade de terras já abertas e aptas para o cultivo de soja na Amazônia. Segundo os autores, essa disponibilidade permitiria expandir a produção agrícola sem a necessidade de converter novas áreas de floresta, reduzindo os impactos ambientais e preservando os recursos naturais.
A pesquisa também analisou críticas de que a Moratória teria prejudicado economicamente os produtores ou criado distorções no mercado. A comparação entre municípios abrangidos pelo acordo e regiões vizinhas não encontrou diferenças relevantes nos preços pagos aos agricultores, indicando que o mecanismo não afetou a competitividade nem a remuneração dos produtores.
Especialistas defendem que os resultados reforçam a importância de políticas e compromissos voltados à conservação ambiental aliados ao desenvolvimento do agronegócio. Para eles, manter instrumentos capazes de reduzir o desmatamento é fundamental para conciliar o crescimento da produção de soja com a proteção da floresta amazônica.


